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Ética e educação inclusiva

Antes de começar a construir os argumentos, para esse texto,  gostaria de fazer um relato pessoal, apesar de não gostar de me citar como exemplo de nada fato é que eu tenho 44 anos e, talvez eu , e meus amigos , somos a primeira geração de jovens com deficiência a ser inserido no ensino regular. Aos 17 anos, em 1993 , eu com todas as minhas limitações físicas, motoras e de comunicação , fui estudar numa classe de 40 alunos na escola municipal presidente Médice na marra, sem estrutura, sem mediadora , isso nem em sonho se cogitava, em fim . Isso posto , devo concluir que todo meu histórico me permite falar, com autoridade mínima , sobre a importância da inclusão  educacional no plano de uma conquista de um espaço único da cidadania das pessoas com deficiência. Um lugar impar a qualquer, ‘a educação inclusiva é o principio, moral e ético, de qualquer individuo ou grupo que defenda a cidadania das pessoas com deficiência’.
Porque eu fiz o destaque? Porque percebo que atualmente muitos pais de crianças e jovens  com necessidades especiais  tem um acanhamento em colocar seus filhos em escolas do ensino regular, preferindo a ‘comodidade’ das escolas especiais , ou pior, de algumas instituições que fazem um trabalho pedagógico paliativos com essas crianças e jovens. Eu não vou entrar no mérito da idoneidade ou da boa-fé dessas entidades, até creio que elas podem ter uma função importante na socialização dessas pessoas. Mas, quero deixar claro que o espaço da escola é fundamental, e insubstituível na afirmação da cidadania de qualquer criança. De igual maneira a escola inclusiva é um instrumento importantíssimo para essa crianças ou esse jovens com deficiência. Querer dissociar a promoção da pessoa com deficiência , da existência e da valorização de uma educação inclusiva é impossível.   
É vital que esse espaço, a Escola seja um ambiente de fortalecimento e de enriquecimento da relação entre as pessoas com deficiências e a sociedade. Pois, ao imaginar a inclusão dessa crianças e jovens sem que esse processo passe pela educação , pela escola, é desonestidade. Eu, atualmente , interajo com muitos pais de crianças e jovens com necessidades especiais , e quando pergunto se os filhos deles estão na escola, sempre ouço que, desses pais, que esses pais não colocam seus filhos nas escolas pois. As escolas não estão ‘preparadas’ para receber esses alunos , e eles, como pais não desejam expor seus filhos a situações indesejadas.
Tudo bem, quem sou eu para dizer o que um pai deve fazer com seus filhos? Também concordo que as escolas brasileiras, sejam na rede pública ou privada, estão muito longe de ser espaços inclusivos. Toda via, precisamos ter muito claro que essas escolas somente se tornaram espaços inclusivos se forem provocadas, com a presença dessas crianças e jovens com necessidades especiais nessas escolas. Lamento informar. Mas, não faremos inclusão em casa.

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