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Prefeitura promove programa de ressocialização de jovens

Um dos maiores desafios da sociedade brasileira é o crescimento de atos infracionais por crianças e adolescentes, em geral oriundos das classes mais carentes e muitas das vezes influenciados pelo tráfico de drogas. Na base desse grave problema social, estão vários fatores como a ausência de estrutura familiar, a evasão escolar e a falta de perspectiva. A Prefeitura do Rio trabalha para acolher e ressocializar jovens que estejam cumprindo medidas socioeducativas. Atualmente, 987 adolescentes participam do Programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto.
 O programa da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), em parceria com o Poder Judiciário, promove acompanhamento social de adolescentes, de 12 a 18 anos, com o objetivo resgatar os laços familiares e contribuir para o acesso a direitos desses jovens, bem como para a reintegração social. Em funcionamento em 14 Centros de Referência de Assistência Social (CREAS), o projeto conta com equipes interdisciplinares formadas por assistente social, psicólogo, pedagogo e advogado. Atualmente 165 profissionais estão diretamente envolvidos no programa.
 De acordo com o assistente social Leandro Teixeira da Assis, que trabalha no Centro de Referência de Assistência Social Maria Lina de Castro Lima, em Laranjeira, o primeiro passo é o de conquistar a confiança do adolescente no trabalho de ressocialização proposto pela equipe. Para Leandro, é imprescindível que se conheça o histórico familiar e social desse jovem para que os profissionais do programa possam, de fato, auxiliá-lo em sua reinserção social.
 - É vital para o nosso trabalho que a gente ganhe a confiança desse adolescente. Para isso, é importante saber a sua história familiar, comunitário e social. São elementos que precisam ser compreendidos e considerados. É justamente entendendo essa história que vamos traçando nossa linha de trabalho - disse o assistente social.
 O Programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto beneficia os jovens que vêm encaminhados pela Vara da Infância e Juventude para cumprimento da medida de Liberdade Assistida (LA) e/ou de Prestação de Serviço à Comunidade (PSC).

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- Nossa abordagem inicial é no sentido de fazer o acolhimento desse jovem, explicamos como acontecerá o processo dessa medida, e já num segundo atendimento começamos a traçar um planejamento de reinserção social, seja fazendo encaminhamento para o mercado de trabalho ou para escola já que muitos estão fora do sistema educacional. Levamos sempre em conta as demandas que o jovem traz e suas potencialidades - explicou Leandro.
 A maioria dos adolescentes que chegam ao Programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto tem, em média, entre 14 e 16 anos, são do sexo masculino, negros ou pardos e em situação de rua. Em geral, são atraídos pelo tráfico de drogas ainda na infância.
 Para a psicóloga Marcela Almeida de Brito, esses jovens são vítimas de desestruturação social e familiar, além da cultura de violência imposta pelo tráfico de droga:
 - Não podemos negar o poder do tráfico na vida desses adolescentes. Na realidade, estamos falando de crianças que não tiveram infância, que já crescem em meio à cultura da violência, além da ganância pelo dinheiro fácil. Tudo isso mexe, claro, com seus valores. O nosso trabalho é reestruturar os valores desses adolescentes.

Alguns jovens permanecem no programa após completar a maioridade dependendo da pena fixada pela justiça. É o caso de Rafael dos Santos Barroso que cumpriu a medida socioeducativa por três anos após ter cometido um único ato infracional, aos 16 anos. Durante esse processo, que teve o acompanhamento tanto pela LA como da PSC, ele trabalhou na parte administrativa do CREAS Maria Lina de Castro Lima. Hoje, aos 21 anos, já está reintegrado à sociedade.
-O período que eu passei aqui foi muito importante para mim. Fiz curso de Informática, me formei em Bombeiro Civil, tirei minha carteira de motorista - afirmou Rafael, que lembrou que bem diferente do tempo em que cometeu se ato infracional, hoje tem outra relação com a família:
 - Naquela época eu só pensava em ter roupas novas. Eu via as pessoas com carro novo e queria ter aquele carro. Quando eu era jovem não ouvia pai e mãe, só fazia besteira. Mas hoje em dia eu quero estudar, me formar em Direito, trabalhar e ajudar minha família. Minha família é tudo para mim - contou Rafael que já pensa em casar e ter filhos.
 - Aos meus filhos, vou dizer que fiz coisas erradas, corri risco de morrer, mas, pela graça de Deus, fui preso (apreendido) e lá eu ergui a cabeça e vi que aquilo não era bom para mim. Tive a oportunidade de refazer a minha história - disse ele.
 Exemplos como o de Rafael colaboraram para ressocialização de jovens. Roberto Pinto da Costa, 18 anos, ainda está no processo de reintegração social promovido pelo programa. Ele cumpre a medida em Liberdade Assistida.

 - Naquela época eu só fazia besteira, passava vários dias fora de casa. Hoje o que eu mais quero é arrumar um trabalho, ajudar minha família (irmão) e ser feliz - disse Roberto, que perdeu seus pais ainda na infância e, muitas vezes, vivia em situação de rua.

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