Professor usa informática para promover inclusão de alunos com deficiência visual


Mais do que um professor de informática, Marcio Maciel é prova de que as limitações estão aí para serem superadas. Desde a infância com baixa visão, ele é o responsável pela Oficina de Informática para estudantes da rede municipal de ensino que apresentam algum tipo de deficiência visual. Promovida pelo Instituto Helena Antipoff (IHA), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação, a oficina tem a tarefa de fazer com que as ferramentas tecnológicas desenvolvidas para pessoas com deficiência visual sejam utilizadas para favorecer o processo de aprendizagem e de inclusão. O trabalho de Marcio, que há seis anos está à frente da oficina, divide-se entre as aulas que ministra para os alunos no Instituto e a capacitação de professores que trabalham nas salas de recursos.
-  Com o tempo, a gente percebeu que muitos alunos não poderiam vir ao Instituto, como os que estudam em Campo Grande e Santa Cruz. Então começamos a ir até esses alunos através da capacitação do professor, levando o conhecimento da nossa oficina para que fosse multiplicado por toda rede – explicou Marcio, que desde os sete anos convive com uma doença chamada Retinose pigmentar.

As aulas têm como base o programa Dosvox, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro especialmente para pessoas com este tipo de deficiência. O programa pode ser baixado gratuitamente e funciona como uma espécie de leitor de texto, possibilitando à pessoa sem visão ouvir todo o conteúdo exibido.  
 A rede municipal de ensino conta atualmente com 464 de salas de recursos, que funcionam nas próprias escolas, atendendo às demandas dos alunos especiais. Além disso, muitos dos computadores das salas de leitura da rede já dispõem do sistema Dosvoz, o que facilita o acesso do aluno com deficiência visual ao conteúdo pedagógico.
- A Oficina de Informática atua também na elaboração de ferramentas que possibilitam ao estudante ter maior autonomia no ambiente escolar, como ampliar as imagens e as próprias questões da prova ou transcrever a prova para o sistema Dosvoz. Há também a opção do aluno com deficiência visual utilizar o sistema Braille, se preferir – comentou o professor.
 A aluna Renata Marques da Silva, 25 anos, da classe especial da Escola Municipal Gaspar Viana, em Vista Alegre, frequenta há dois anos a Oficina de Informática do Instituto Helena Antipoff. Para ela, que sonha frequentar uma turma de ensino regular, a tecnologia tem sido uma grande aliada no convencimento dos pais:

- Através do computador, eu consigo ler, jogar, entrar na internet, fazer várias coisas que antes eu não fazia. É muito bom. Quem tem o poder de decidir se a criança com deficiência frequentará uma classe especial ou regular é o responsável pelo aluno. À escola cabe a orientação pedagógica quanto à inclusão.
- Meu sonho é que um dia a gente consiga incluir todos os nossos alunos em classes regulares, dando a eles os recursos necessários para que eles possam vivenciar a inclusão – pontuou o professor.

 O Instituto Helena Antipoff fica na Rua Mata Machado, nº15, no Maracanã. Mais informações sobre as diversas atividades realizada no instituto, tanto para alunos com necessidade especiais como para educadores, podem ser obtidas através dos telefones 2027-1260 e 2204-2150.

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