sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pioneiro no país, o projeto "Educação Especial Digital para alunos com Autismo", da Secretaria Municipal de Educação, utiliza tablets para auxiliar no aprendizado de alunos com autismo na rede municipal de ensino. O programa começou a ser implementado no começo de 2013 com 100 alunos, em 100 escolas municipais. 

O projeto é coordenado pelo Instituto Helena Antipoff (IHA), em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por intermédio do grupo de pesquisa do curso de pedagogia, que vinha trabalhando a Comunicação Alternativa Ampliada com Alunos com Autismo.
   
Os professores foram capacitados para atuarem como mediadores entre a tecnologia e os alunos autistas que já estão utilizando o tablet, além das comunidades escolares em que os jovens estudam.  O processo de capacitação para os professores que atuam no projeto aconteceu de março a junho desse ano, e envolveu todo o corpo docente das escolas, desde reuniões para explicar os objetivos do projeto à escolha dos professores.
Durante o curso, as escolas envolvidas contaram com a visita técnica da Equipe de Acompanhamento dos Professores do Instituto com o intuito de adequar o conteúdo transmitido às necessidades dos alunos

- A capacitação tinha o objetivo de fazer com que o educador conhecesse e se familiarizasse com essa nova tecnologia - os tablets e o software - para ampliação da aprendizagem e da comunicação de alunos com autismo - explica Katia Walter, chefe do programa de pedagogia da UERJ.
 Roberto Tony da Silva, 14 anos, aluno da Escola Municipal Pedro Lessa, é um dos jovens beneficiados pelo projeto. Tony está no oitavo ano no Ensino Fundamental e conta com a ajuda da professora Marcia Rapouzo, que trabalha na sala de recursos e acompanhou todo o processo de inclusão do estudante.

Para ela, a utilização do novo recurso tecnológico tem sido uma experiência inovadora, não apenas para o aluno, mas também para os professores:

- O Tony está descobrindo os recursos do tablet junto com os professores. O tablet chegou em março, e começamos a configurar o aparelho. O próximo desafio era ensinar o Tony a usar o tablet, mas para minha surpresa ele aprendeu mais cedo do que eu esperava. Outro dia, ele baixou um aplicativo de ciências sobre o corpo humano que o professor de ciência não conhecia, essa troca é muito legal para ele.  

Segundo a professora, a utilização do tablet acelerou o processo de ensino do estudante. Apesar de Tony não apresentar dificuldades na fala, lidar com conteúdos abstratos, por vezes, era um entrave para a sua aprendizagem.

- Ele sempre foi um aluno muito esforçado. Atravessou algumas dificuldades motoras, fez algumas cirurgias ao longo da adolescência. Mesmo tendo essa dificuldade, ele consegue realizar todas as atividades da minha aula - disse a professora de Educação Física, Patrícia Medina, que acompanha o progresso de Tony desde o 6º ano.

Para conhecer esse e outros projetos de educação inclusiva é possível fazer visitas ao Instituto Helena Antipoff, na Rua Mata Machado, 15, no Maracanã. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 2569-6806.


foto:: Raphael Lima