domingo, 24 de dezembro de 2017

 Eu , nesses mais de 20 anos que escrevo para teatro, sempre tive um pé atrás de me auto intitular diretor, ator, e nem sonhando me dava o direito de dizer ‘professor de teatro‘. Era feito uma auto barreira que eu me colocava. Muito embora os meus textos sempre vinham com um manual de direção , de tantas rubricas que coloco, e ate mesmo no processo de ensaio eu enfiava minha colher na direção, eu tremia na base quando as pessoas dizia que eu era mais diretor do que autor. De todo modo quando me atrevi a assumir a oficina teatral inclusiva arte viva eu não notei que me dava uma espécie de carta de alforria. Como se eu, após tanto tempo de vivencia teatral, finalmente eu poderia pisar na areia descalço , sem proteção , sem medo.
Nesse processo foi muito importante o apoio do meu irmão Jairo Santos, foi ele que me fez ‘tirar as rodinhas ‘ da bicicleta e expandi minha expressão artística durante um processo de mil duvidas. Sera que o que eu estou fazendo é legitimo? Vai dá certo? Sera que eu tenho embasamento para transmitir algum conhecimento  sobre teatro? Essas perguntas que rondavam minha consciência. Dentre os muitos vídeos sobre o teatro que assisti, nesse período há uma entrevista do Augusto Boal em que a gente nem ser humano é, na verdade a gente está numa ‘pré-humanidade’, e que somente o exercício da solidariedade poderia , segundo ele, nos elevar dessa ‘pre-humanidade’ e o teatro  poderia ser o veiculo dessa mudança .
 Eu , meio sem saber a totalidade do sentido dessa frase me agarrei a ela para me permitir soltar o meu ser numa tarefa que , juro , não me achava capaz de executar. Somente no dia na apresentação  do auto de natal que fiz com meus alunos especiais , compreendi a essência da frase do Boal . aquela apresentação era perfeita, apesar dos atores não serem estrelas globais e o diretor ser tão amador. O que tínhamos produzido era arte, era o exercício do melhor que somos, sobretudo , para mim, foi um voo sobre o meu exercício de viver.

Valeu..