sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A primeira consideração que quero fazer para esse nosso papo , é que  fala que trago, para esse encontro é  antipática porem afetuosa. Trata-se de uma reflexão sobre a ‘inclusão’. Sobretudo, em um tempo em que a retorica inclusiva domina as falas de grande parte da sociedade, como um termo sagrado ou uma palavra de ordem, que as pessoas repetem sem saber ao certo sobre o que estão falando. De um modo geral percebe-se que hoje   a palavra ‘inclusão’ foi posta  em um altar por muitos de nós, 
como algo que não precise ser compreendido e debatido... Como se nós ’mestres da inclusão’ tivéssemos todas as respostas sobre este processo. Esse, me parece ser o maior engano que estamos cometendo. Pois, como qualquer outro processo social, a inclusão das pessoas com deferência precisa ser transformada , ‘ tomar um solzinho’, e se renovar. O que lamento dizer , não acontece há muito tempo.

Cuidado com as ideias que se tornam consenso. Elas podem está mofadas pelo comodismo 

A Embora eu saiba que boa parte dos presentes já estejam preste a me xingar, gostaria de pedir que me ouçam com  um pouco mais de paciência. É obvio que o processo inclusivo trouxe enormes avanços para toda a sociedade, é evidente que a visão que a sociedade tem a respeito das pessoas que apresentam ‘CERTOS TIPOS’ de deficiência mudou e vem mudando nos últimos anos. É fato que hoje existem um numero cada vez maior de alunos com necessidades especiais em  turmas regulares. -Uéh, então esse ‘PC’ está reclamando de que?- Você deve esta se perguntando .
É  justamente por saber de todas essas conquistas é que eu preciso te convidar para  tentássemos ter uma percepção mais ampla sobre o que é, hoje, o processo de reconhecimento das pessoas com deficiência, como agente ativo na sociedade brasileira . É por isso que a gente não pode trancafiar esse assunto nas nossas certezas, naquilo eu acho que é inclusão. 
Um dos significados do  verbo ‘incluir’ é ‘colocar algo que está fora para dentro’ . De modo que, se eu incluir uma pedra num copo d’água , o máximo que pode acontecer são algumas gotas caírem, outras serem realocadas e pronto. Nenhuma outra mudança acontece . eu não mudo  a forma e , sobre tudo o cenário. A  pedra, por sua vez , em geral, fica no fundo do copo, sem incomodar ninguém.
 Diante dessa metáfora barata, de 1,99, a pergunta é: será que estamos reproduzindo uma inclusão que está apenas colocando  ‘Pedras nos fundo de copos d’água?’ Ou seja, que insere individuo com deficiência nas escolas, no mercado  de trabalho sem nos preocupar em contextualizar a cidadania desse individuo nesse ambiente? 
É  impossível pensar num  processo efetivamente inclusivo sem que , esse se fundamente num compromisso ético de todos nós. Não dá para tratar da cidadania de 13% da população brasileira ‘de vez enquanto , apenas durante a novela que,  via de regra, aborda essa temática de forma paternalista : como se a cidadania das pessoas com deficiência fosse uma concessão 
Da mesma maneira , a inclusão somente se torna algo real se nas nossas escolas tenhamos educadores efetivamente compromissados com o desenvolvimento humano de seu aluno , tenha deficiência ou não , professores que se sintam incomodados se a escola, onde lecionam não possibilite a um auno  cadeirante, o acesso a todas as suas dependências – os sanitários , as salas de aulas..